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UMA DOR CRôNICA, MAS TRATáVEL

 

Dor intensa que começa na região lombar e percorre a perna: um sintoma relatado por incontáveis vozes no consultório do ortopedista. Mesmo com histórias distintas, ali, do outro lado da mesa, as queixas dos pacientes assemelham-se: a impossibilidade de executar as tarefas cotidianas, a dor intensa, o formigamento na perna, o afastamento do trabalho e da vida social. Em comum, muitos deles também carregam a cultura de só procurar o especialista quando o quadro se agrava ou cultuam a mesma rotina sedentária. A faixa etária varia, assim como a causa que levou à compressão ou inflamação do nervo ciático. De forma simples, esse é o nervo que liga a ponta do pé à região lombar da coluna, cuja função é a de mobilidade e sensibilidade da perna.

O aumento na incidência de pacientes com problemas nesse nervo indica a necessidade de uma mudança de hábitos, especialmente no que tange o controle do peso e a prática de atividade física. Embora seja relativamente comum – expressão que todos ouviram uma vez ou outra na vida -, a dor no nervo ciático ainda é cercada por dúvidas e, principalmente, agravada pela resistência do paciente em buscar atendimento médico. A consequência, em longo prazo, das crises de repetição pode ser grave. Novamente, a prevenção surge como principal recomendação e prevenir-se significa, também, informar-se. O ortopedista do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) de Passo Fundo, Dr. Jean Marcel Dambrós, concedeu entrevista ao caderno + Saúde, na qual esclarece algumas dúvidas acerca das dores no nervo ciático.

Saúde Entrevista

Por que tantas pessoas sofrem com dores no nervo ciático?

Na verdade, os problemas do nervo ciático são praticamente todos originados de problemas na coluna. A região lombar é aquela em que a população mais apresenta problemas, por ser a que mais sofre cargas, impactos e pressão, e isso pode originar a dor no nervo ciático. A complicação mais comum nessa região, e que afeta o nervo ciático, é a hérnia de disco. Para que as pessoas possam entender, o disco é uma cartilagem que fica entre as vértebras da nossa coluna e faz um papel principal de amortecedor. Eventualmente, devido a esses problemas na coluna, uma parte desse disco pode romper e formar a hérnia de disco. Ou seja, é um pedacinho do disco que arrebenta e vai para dentro do canal vertebral. Quando isso acontece, ele pode apertar ou inflamar o nervo ciático. Aí, surge uma dor que vai começar na coluna e percorrer todo o caminho do nervo. Os pacientes podem apresentar formigamento, amortecimento, sensação de choque, alguns têm sensação de frio, outros de calor. Tudo isso se deve ao acometimento do nervo na coluna.

Como identificar se a dor é ou não no nervo ciático?

Normalmente, tem-se uma dor que começa na região da cintura ou na nádega e desce até lá embaixo no pé. Às vezes, podem surgir outros sintomas associados. Essa é uma dor que, geralmente, vai piorar com outros esforços, como carregamento de peso e movimentos de flexão do tronco (por exemplo, dobrar a coluna para frente para juntar algo do chão). Alguns pacientes pioram pelo simples fato de estarem sentados por períodos prolongados. Há pessoas que chegam para trabalhar às oito horas da manhã e ficam nessa posição sentada até o meio-dia. Normalmente, elas terão um agravamento da situação, porque, ao permanecerem sentadas, a coluna estará suportando mais carga também. A dor também pode ser agravada pela prática de algum exercício físico, às vezes, até pela própria caminhada.

Há como prevenir essa dor?

A principal indicação – que os médicos gostariam que todos os pacientes fizessem – é evitar chegar a uma hérnia de disco ou outro problema que lesione o nervo ciático. Na prática, a principal maneira de prevenir problemas no nervo ciático é praticar exercícios físicos – aqueles que envolvam a coluna, ou seja, exercícios de alongamento e de reforço muscular – e ter cuidados no dia a dia, por exemplo, evitar atividades mais pesadas, carregamento de pesos exagerados e movimentos de flexão da coluna. Também existe uma incidência maior de problemas no nervo ciático em pessoas que estão acima do peso, porque naturalmente haverá mais carga nos discos da coluna. Para as pessoas que trabalham sentadas, o recomendado é fazer pausas ao longo da jornada de trabalho. Então, a cada hora trabalhada, que você faça uma pausa de cinco minutos e saia da posição sentada, fazendo alguns exercícios de alongamento ao longo do expediente. Essas são as principais indicações para reduzir os problemas de nervo ciático.

Uma vez que a pessoa esteja com a crise, o que ela deve fazer?

Normalmente, as crises de dor ciática são bem intensas. Há casos em que precisamos internar o paciente para o tratamento, para tentar tirá-lo da crise de dor. O ideal é que, na crise ou na suspeita de problema no nervo ciático, a pessoa procure o atendimento médico ou o especialista da coluna. Às vezes, o paciente só chega ao consultório depois de 30, 60, até 90 dias com a dor, já bem limitado em seus movimentos, porque tomou algum remédio mais fraco que aliviou momentaneamente a dor, mas não cortou a crise. Então, ele já chega com uma lesão do nervo. Um dos problemas com o qual temos bastante preocupação é com a morte desse nervo, que ele pare de funcionar. Se ele está apertado, há essa falta de irrigação sanguínea no nervo, que pode fazer com que a pessoa perca o movimento do pé ou da perna. Sempre é bom procurar atendimento porque essas crises têm que ser manejadas desde o começo, com a medicação correta, senão elas vão se arrastando e o paciente desenvolve dor crônica, não consegue fazer mais nada. Ele deixa de praticar o exercício físico porque tem medo da dor e aí entra em um círculo vicioso. Então, o recomendado é que, em caso de crise, o paciente procure o atendimento médico para que ela seja eliminada já no começo e para que ele pratique atividade física o mais cedo possível. É muito comum o paciente que teve uma crise de dor que não foi bem manejada no começo desenvolver dor crônica e ter crises de repetição. Na maioria das vezes, isso segue ocorrendo porque a primeira crise foi mal tratada. É importante ressaltar que nem toda dor que ocorre na perna é por causa do nervo ciático. Um dos diagnósticos diferenciados que fazemos, por exemplo, é o de trombose. Por isso, é essencial o diagnóstico correto para o tratamento adequado.

Isso significa, então, que, em longo prazo, essa sequência de crises pode trazer complicações mais graves, certo?

Sim, porque ela vai limitando cada vez mais o paciente. A primeira crise ocorre, por exemplo, porque ele foi erguer um botijão de gás, ou seja, é preciso um esforço intenso. Para a segunda crise, não necessariamente, porque o nervo já está sensibilizado ou lesionado. Já tive pacientes que “travaram” por amarrar o calçado de manhã cedo, ou seja, a pessoa tem uma crise por um esforço cada vez menor.

Que fatores contribuíram para aumentar a incidência de problemas no nervo ciático nos últimos anos?

Cada vez mais, tem-se a importância do fator de pré-disposição genética. Afora isso, que é algo que não podemos mudar, o fator de risco que temos na sociedade atual – muito mais evidente e a literatura médica tem mostrado isso – é o sedentarismo. O trabalho pesado sempre existiu, o trabalho em posição sentada também, mas o sedentarismo nem tanto. Antigamente, as pessoas se exercitavam mais, faziam muitas coisas a pé. Hoje em dia, entre a população mais jovem, a tecnologia está fazendo com que cada vez as pessoas sejam mais sedentárias. É bem evidente nos dias atuais a influência do sedentarismo aumentando a incidência de hérnias de disco ou lesões na coluna de pacientes mais jovens. O sobrepeso também é um fator. Da década de 70 para cá, a obesidade aumentou muito na humanidade.

Há uma faixa etária mais afetada pela dor no ciático?

Temos duas faixas etárias, tipos de problemas diferentes e que podem manifestar sintomas parecidos. Dos 30 aos 50 anos, é a faixa etária mais acometida por hérnia de disco, o que pode afetar o nervo ciático. Depois dos 50/55/60 anos, a população também pode ter problema no ciático, mas devido a outros problemas da coluna, como artrose ou quadro de estenose no canal vertebral. Ou seja, a manifestação clínica será parecida, porque, no final das contas, é o ciático que está sendo afetado, mas a causa da lesão varia nessas duas idades populacionais. Antes dos 30 anos, é raro uma pessoa apresentar problemas no ciático.

Como é o tratamento para dor no nervo ciático? Há cura para isso?

Uma vez lesionado o disco, ele não “volta”. Ainda não temos nenhum tipo de tratamento eficaz para melhorar a lesão no disco. É diferente da hérnia: no caso dela, normalmente, se der tempo, o corpo vai reabsorver. Se não reabsorver, podemos operar o paciente para retirar essa hérnia. Mas o disco que estragou não se reverte. Então, algumas vezes, acontece de tirarmos o paciente da crise de dor no ciático, mas ele continua com dor nas costas. E a dor nas costas pode ser tão limitante quanto a dor na perna. O que nós temos são maneiras de fazer com que o paciente clinicamente fique melhor e tenha uma vida normal, sem riscos de novas crises. Só que, uma vez tendo sofrido a lesão, se esse paciente não se cuidar, ele viverá o resto da vida em função de crises na coluna. O tratamento visa: primeiro, tirar da crise; segundo, não deixar que ele tenha uma nova crise. Alguns só irão melhorar com o procedimento cirúrgico, ao remover a hérnia e desapertar o nervo. Mas a cirurgia é reservada para uma minoria de pacientes. A maioria, se seguir as recomendações médicas, melhora.

A fisioterapia também é recomendada a esses pacientes?

Em um primeiro momento, procedemos com uma intervenção medicamentosa e a mudança dos hábitos. Normalmente, passada aquela crise inicial de dois a quatro dias em que a dor é muito intensa, colocamos o paciente na fisioterapia. Se a pessoa é sedentária, ela não pode ir direto para a academia, por exemplo. O “estágio” é um tempo de fisioterapia, que no início das sessões aliviará a dor e depois começará a preparar esse paciente para voltar à atividade física. Pode ser até três meses de fisioterapia para depois fazer a manutenção, seja na academia, no Pilates, na yoga, na natação, no treinamento funcional, na hidroginástica… enfim, temos à disposição um grande leque de opções, mas temos que preparar esse paciente primeiro. Temos também que quebrar esse ciclo de o paciente dizer que não pode fazer exercício porque tem dor. Na verdade, ele precisa fazer o exercício para não ter a dor, só temos que fazer esse trabalho de transição gradual para que ele consiga se exercitar. 

Reportagem: Daniela Freitas Schuster/Jornal Diario da Manha 

 

 

 



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